Reflexão: viagem no tempo?

Mudança de endereço: pessoas, mudei o endereço do blog! A partir de agora será: https://registromedico.wordpress.com. Todo o conteúdo desse aqui está lá também! Em breve esse será desativado!


O que está acontecendo no mundo nesses últimos dias?

Vim fazer um post um pouco mais informativo do que descritivo, e não é sobre o meu dia-a-dia como estudante de medicina, e sim o dia-a-dia de um estudante de medicina da USP, em uma parte do post, e de qualquer outra faculdade, em outra parte. Espero que consiga escrever bem sobre esses assuntos complicados.

Bom, acho que todo mundo está vendo o que está acontecendo na USP. Pra quem não sabe ainda, por favor, se informe. Mas tente se informar com crítica, e não ler uma opinião pronta em um site e achar que é a verdade absoluta (nessa lista se inclui este blog, apesar de que vou tentar ao máximo manter opiniões e posicionamentos de lado).

Antes de mais nada, queria reforçar para vocês, já que devo ter citado isso umas duzentas vezes no blog, que a Faculdade de Medicina da USP nasceu antes da USP (em 1912, no papel, e em 1913, de fato), teve seu prédio construído antes da fundação da USP (em 1931) e integrou a USP em 1934, seu ano de fundação. Além disso, nosso prédio não fica localizado na Cidade Universitária, nós só temos aulas frequentes lá no início do curso (3 semestres, depois são apenas algumas matérias no ICB, e obviamente, aulas e estágio no HU, mas que nem consideramos muito como CU porque é um universo a parte), nós quase não temos contato com pessoas da USP (não por nossa vontade, e sim porque tem preconceito lá dentro, e acabamos nos fechando na nossa faculdade mesm0), não temos centros de vivências lá, não temos representatividade, não temos NADA lá. Ou seja, a Faculdade de Medicina é, na prática, totalmente ALHEIA à Cidade Universitária e a USP como um todo.

Não estou dizendo se é bom ou ruim, nem entro no mérito dessa discussão nesse post. O que quero dizer é que, repetidamente, tudo isso que aconteceu com alunos da USP não envolveu alunos da Medicina (que eu saiba nenhum aluno daqui esteve na invasão da reitoria, e se esteve, foi como aluno da USP, não como da Medicina), não houve envolvimento do nosso Centro Acadêmico e, eu acho, que nenhum de nós foi consultado sobre o que aconteceu.

Reforço que não estou dizendo que é certo ou errado, ou que FMUSP e USP não se dão bem. Só estou expondo pra vocês a realidade daqui de dentro. Eu, particularmente, não me considero aluno da USP, e sim aluno da FMUSP, por não concordar com inúmeras coisas que envolvem a Universidade, e que graças a Deus não chegaram à Faculdade ainda. De qualquer forma, FMUSP faz parte da USP, do Brasil e do mundo, e não tem como não se envolver com tudo isso.

Bom, o mundo está de ponta-cabeças na USP. Estudantes e policiais se enfrentando, sem razão de ambas as partes. Invasão de reitoria, destruição de patrimônio público,  estudantes sendo agredidos. Tudo isso em um território de livres idéias, de autonomia e conhecimento. Isso me assusta um pouco.

Nem sei mais o que escrever sobre isso sem dar meu posicionamento hahaha, então, antes de mais nada, queria dizer que apesar de tudo isso que aconteceu ter sido uma tragédia sem fim, abre espaço para uma discussão que vai muito além de discursos vazios de protestantes e de governos: qual é a qualidade da USP de hoje? A USP está adequada para o mundo atual? Não digo só de alunos, mas de todo o restante: prédios mal-cuidados, Campus deserto e largado, pouco incentivo à pesquisa e extensão… bom, dizem por aí que a Cidade Universitária deve ser tratada com o restante da cidade, mas até que ponto isso é bom? Deixo a crítica para vocês 🙂

Bom, agora o outro ponto que quero escrever é sobre política. Sim, esse post é extremamente entediante e pretendo deixá-lo mais entediante ainda com o pronunciamento da Presidente Dilma que foi ao ar ontem, e que eu tive o privilégio de assistir ao vivo, e que tenho um privilégio ainda maior de compartilhá-los com você, mas somente na parte que interessa a este presente post:

Caso o vídeo comece a rolar desde o início, apesar de eu ter configurado para isso não acontecer, coloquem no 8:01.

Vocês acabaram de ver que a vida de centenas ou milhares de médicos recém-formados foi leiloada pelo governo federal. Sim, a Dilma deu esse discursinho dizendo que quer melhorar a saúde, e mais, a saúde de áreas REMOTAS e menos favorecidas usando médicos recém-formados.

Vou explicar para vocês um pouco melhor de como isso vai funcionar, porque isso ela não o fez: quem trabalhar em PSF (Programa de Saúde da Família, ou seja, trabalhar em posto de saúde e um pouco mais) por um ano terá direito a 10% de bônus no resultado da prova de residência (especialização). A prova de residência é extremamente mais concorrida que o vestibular, além do nível dela ser muito superior, uma vez que não cai matemática, física e etc, e sim o que devemos ter aprendido para sermos médicos.

No entanto, o governo não quer ver isso, mas 10% corresponde a diferença entre o PRIMEIRO colocado na prova e o ÚLTIMO. Ou seja, se o ÚLTIMO colocado fizer um ano de PSF e ganhar o bônus, passará a ser o PRIMEIRO. Portanto, TODOS terão que ir atrás desse bônus, porque quem não for, NÃO VAI CONSEGUIR PASSAR numa prova de residência.

Em outras palavras: É TRABALHO COMPULSÓRIO. Sim, porque seremos obrigados a trabalhar em um lugar que NÃO QUEREMOS, que NÃO TEM CONDIÇÕES NENHUMA para nos receber (ela não falou nada disso no pronunciamento dela) e LONGE de toda nossa vida atual para que possamos ganhar míseros pontos numa prova e continuarmos sendo explorados na residência, já que o salário é ridiculamente baixo se comparado ao salário de um recém-formado em engenharia e direito, por exemplo.

Essa parte de condições nenhuma é: o lugar que iremos provavelmente vai ter no MÁXIMO um aparelho de ultrassom, e que possivelmente estará quebrado. O máximo de recurso que vai ter lá vai ser um estetoscópio que nós levaremos conosco, além de nosso conhecimento médico, que nem sempre é o bastante para salvar uma vida. Claro que PSF não é Plantão em Pronto-Socorro, não vamos atender esfaqueados, acidentes de moto e etc (ah, provavelmente atenderemos sim, mas fingimos que não…), mas de vez em quando aparece alguém com uma doença grave, e não vamos conseguir diagnosticá-la porque não teremos recursos. Isso é mais do que óbvio, basta ver as barbaridades que existem por ai.

ENFIM, o mundo está de ponta-cabeças não só na USP, mas no Brasil também. Parece que voltamos aos tempos de ditadura, onde estudantes fazem revoluções, polícia invade universidades e governos obrigam as pessoas a trabalharem.

Que país é esse?

Anúncios

14 comentários sobre “Reflexão: viagem no tempo?

  1. Não sabia do PSF, essa democracia brasileira mascarada, é ainda mais perigosa.Porque as pessoas não param para refletir sobre o atual sistema político, isso decorre por não lerem revistas sobre o assunto ou jornais. A maioria só assiste TV e pensa que o que acontece no país são as coisas que a Globo transmite. Sobre os estudantes, concordo que eles devam reivindicar os seus direitos e pela melhoria da universidade, porém quebrando as coisas e agindo como animais, não dá.E o policiamento deve estar presente na universidade SIM, ainda mais com essa violência e bandidagem q tem por aí.

    Muito bacana o post!!!

  2. Oi Deco! Acompanho seu blog há algum tempo e resolvi manifestar-me nesse rs
    Estou prestando medicina este ano e meu sonho é a usp..
    Bom, não tenho ideia de como deve ser a situação para os estudantes do Butantã, mas acho que se eles queriam reivindicar melhorias chamando a atenção para os problemas em questão, seja por causa da infraestutura, pela qualidade do ensino, pela abordagem dos policiais, ou pela atuação do reitor, isso acabou tendo um resultado negativo para eles… a situação saiu fora de controle, tanto para a opinião pública que tratou de disseminar um rótulo, generalizado aos alunos da usp, quanto para os próprios estudantes que trataram de degradar o patrimônio público como forma de protesto.
    O fato é que quando ocorre esse tipo de manifestação, alguma coisa não está realmente correndo bem e devemos antes de tecer uma opinião formada sobre o assunto, procurar saber as versões para não correr o risco de julgar errado..
    Acho que ironicamente, eu preferiria que a verdadeira história fosse o protesto de burguesinhos maconheiros contra a polícia que não deixa fumar em paz, seria menos pior e bem menos grave e preocupante do que ter a real consciência do estado da educação pública no Brasil e da atual situação que os futuros universitários poderão enfrentar…

    • Sim.. o jeito que começou essas revoltas do último dia pode ter sido errado, e foi o que rotulou todo o movimento.. mas a situação vai muito além de fumar ou não fumar no campus. É uma pena que todo mundo ache que quem faz USP é rico e alienado do mundo. Uma pequena parcela só que é assim, o restante é gente que dá duro pra se formar e ajudar o país da forma que pode.

  3. Tendo em vista que vc não paga nada pra estudar na USP, mas EU (cidadão) pago pra vc estudar, nada mais justo do que vc me dar um retorno com seus serviços. Aliás, acho que a Dilma foi bem tímida…. USP não é faculdade particular, portanto seus alunos devem à população que lhes pagou os estudos. Pasme, têm aluno da USP que se forma e vai para o EXTERIOR!! Sim, deveria dar um retorno ao seu país, àqueles que pagaram pra ele estudar, num local de dificílimo acesso e excelência. E tem gente que na maior cara de pau, acha que foi um ‘favor’… Ora, ou se privatiza a USP, fazendo os alunos pagarem uns 4.000,00 – 5.000,00 de um curso de medicina privado, e aí vc pode fazer oq bem entender com seu estudo, já que não fui EU quem pagou, ou entra numa USP, caladinho, estuda lá, caladinho, sai de lá e vai prestar serviço a comunidade como forma de pagamento MÍNIMO por termos sustentado vc lá… O Brasil precisa de profissionais, por isso temos Universidades públicas… Vc está fazendo faculdade POR NÓS, enquanto não pagar um tostão em dinheiro, terá que pagar, ainda que pouco, algo pra população carente que te sustentou por quase uma década.

    • Olá!
      Bom, antes de mais nada, você se esqueceu que EU (cidadão) também pago para EU estudar, visto que a USP é mantida pelo ICMS, e cada compra que EU faço eu estou pagando para a minha educação. Aliás, EU mesmo pago minhas coisas, não meu PAI (cidadão), já que ganho bolsa por fazer pesquisa (sim, eu “trabalho”). Aliás, meu PAI (cidadão) e minha MÃE (cidadã) pagam impostos há muitos anos, e provavelmente se somar tudo que minha família (toda ela, porque sou o único da família que faz USP) já pagou de imposto, já quitou a minha década de estudo.
      Acho engraçado as pessoas acharem que pagam pra gente estudar. Não é assim. Todos pagamos para manter a universidade, para formar profissionais e aí cada um fazer o que quiser da vida. As pessoas não vão para o exterior porque gostam de neve ou falar outra língua, e sim porque é PRECISO. Sim, eu mesmo vou para outro país ano que vem porque o meu país não consegue me dar uma estrutura avançada para minha formação. Muitos alunos da USP são excepcionais.. o vestibular seleciona muito bem os estudantes daqui e muitos têm capacidades maiores do que nossa tecnologia nacional pode fornecer. Por isso elas vão para o exterior. Você acha justo alguém se sujeitar a ter uma vida medíocre sendo que tem condições de ser muito mais? Por que todos acham lindo e maravilhoso quando um aluno de escola pública é aprovado em Harvard e Yale? Eles usufruiram do ensino brasileiro, e mesmo assim vão para o exterior.
      Além disso, nós damos SIM retorno ao país. Ao contrário de TODOS os outros cursos da USP (exceto, claro os outros da saúde, que sofrem o mesmo que medicina), nós somos obrigados a estagiar apenas no hospital universitário. Obviamente aprendemos quase tudo lá, mas mesmo assim, não é aberta a oportunidade a nós de estargiamos em um hospital privado e PASME: nós não recebemos salários!!! Que coisa, não? A área da saúde é a única que não pode estagiar e receber um salário. E amigo, se você não sabe, o estágio de medicina, chamado internato, é o mais pesado de todos os cursos. A carga horária é abusiva (sim, te juro), e olhe só, nós estamos prestando serviço à comunidade atendendo pacientes, auxiliando em cirurgias, fazendo plantões em PS. E mais, tudo isso é do SUS. Ou seja, nós somos mão-de-obra compulsória e gratuita para o governo. Mas nem por isso reclamamos disso, pois sabemos a importância disso para o nosso aprendizado e também para a sociedade. Você não deve ter noção, mas se os 360 internos da FMUSP pararem de trabalhar no hospital, o hospital simplesmente PÁRA. E isso é verdade.
      Mas pra mim, o pior de TUDO mesmo, é que dos outros cursos ninguém fala nada. Sim, é só medicina que é sacerdócio, que é dom e talento, que é ajuda humanitária. Medicina não é profissão, é privilégio. Vamos pegar por exemplo engenharia. Sabe quantos engenheiros de formam por ano na USP? Mais de MIL. Conte quantos fazem alguma coisa no setor público. E agora desses, que são MUITO POUCOS, quantos fazem de graça? Ahn…. Nenhum? Agora direito. Veja quantos alunos de direito a USP forma. Mais de 600. Veja quanto ganha um juiz. Ok, né? Já deu pra entender.

      E sério, esse papinho de que a gente estuda de graça e deve fazer retorno à população é totalmente sem fundamento. Nós fazemos muita coisa pela população, e porque queremos. Te convido a conhecer o projeto Bandeira Científica, onde estudantes de medicina da USP e outros cursos vão para uma cidade no fim do mundo e ficam uma semana lá fazendo o que o governo não é capaz de fornecer: uma atenção a saúde digna. Sim, ESTUDANTES, alunos de segundo a sexto ano, que NÃO SÃO médicos, trabalham como médicos, voluntariamente, por uma semana. E esse é o projeto mais concorrido da faculdade.

      Então, antes de falar algo, procure se informar mais. Não forme sua opinião pelos comentários de reportagens da veja ou da folha. Espero que você continue lendo meu blog e veja que a rotina de um estudante de medicina não é glamour como todos pensam. A gente rala muito, passa por muito perrengue, e mesmo assim, no fim do dia, vamos dormir felizes, porque sabemos que estamos ajudando os outros. Coisa que nenhuma outra profissão do mundo é igual.

  4. Leio seu blog faz um tempo já e me divirto com a maioria dos posts. Esse foi um post sério, estou acompanhando as badernas da USP desde que começaram por jornais e internet. Concordo plenamente com você que devemos ter uma visão crítica das coisas, principalmente quando esta envolve a mídia.
    Sou vestibulanda de medicina, quase desistindo do curso já, hehe. A única coisa que não concordei foi com o final do post. Mas não sou estudante de medicina, e acho que por isso não estou no mesmo patamar que o seu de análise, mas tentarei me expressar de qualquer forma. Nunca tinha ouvido falar desse programa do governo, o PSF. Mas concordo com ele. Minha única motivação para fazer medicina foi poder ajudar os outros, no máximo ser reconhecida como médica, mas isso não envolve trabalhar nos melhores hospitais ou receber os melhores salários. A vida de médico e de estudante é sempre muito competitiva, esse foi um dos motivos pelo qual desanimei, não quero fica concorrendo para ver quem tira a melhor nota na sala (já ouvi muitas histórias sobre isso) e muito menos ser a melhor médica.
    Já tinha me disposto a tirar um ano do meu curso (se eu passasse) para trabalhar em condições precárias de vida, porque é lá que estão os grandes problemas da sociedade, não digo isso de forma preconceituosa, mas como uma grande oportunidade de mudar a vida de várias pessoas. Não tem graça nenhuma trabalhar no Hospital Sírio-Libanês por exemplo e sair de lá da mesma forma que entrou, vendo um monte de gente que pode pagar uma consulta com você e portanto te subestima, não digo você Deco, mas médicos em geral.
    Acho que é um ótimo incentivo do governo de estimular os estudantes de medicina a saírem do casulo e ajudar o país de forma efetiva. O curso de medicina da UFMG têm algo parecido, eles precisam passar um semestre, geralmente no final do curso, no interior. É o que eles chama de “trabalho de campo”. E interior que eles falam, é interior mesmo, roça puramente! Conheci uma menina que estava nessa fase do curso, estava no 5° ano de medicina e ela disse que detestava pois tinha que morar em uma região precária durante esse tempo e fazer um atendimento a família em várias casas de pessoas carentes, tinha que fazer amizades quando ela não queria e não tinha equipamentos nenhum para fazer diagnóstico, os bebês na maioria estavam com doenças parasitológicas e ficava por aí, ela tinha que diagnosticar de forma quase cega. Eu quase virei pra ela e perguntei:”Porque você está no curso de medicina mesmo?”. Ela queria trabalhar com cirurgia geral, provavelmente sonhava com grandes estruturas e ótimos salários, além de tempo escasso para não fazer mais nada senão trabalhar.
    É isso que formamos, estudantes de medicina adaptados a uma vida constantemente estampada em séries de TV. E a medicina é um instrumento importantíssimo que se têm, e que se eu tivesse, com certeza usaria para realmente ajudar os outros. Acho inclusive que o curso deveria ser mais prático ainda, é muito tranquilo estar no hospital da universidade, acredito seriamente que deveriam ter disciplinas que estimulassem os alunos a saírem de sua rotina de HU e ver a realidade como ela é, e que todo mundo acha que conhece. Que enviassem vocês a fazerem consultas em regiões realmente precárias mesmo. Aí você pensa: “Ah, mas pelo menos deviam dar a devida instrumentação para isso”, mas e se não derem? É motivo suficiente para não querer ajudar quem precisa de verdade? Por que um paciente do Hospital A. C. Camargo geralmente têm recursos financeiros para ser atendido lá. Mas se tem outro que vai a um Posto de Saúde ou um Hospital Público, geralmente é porque não tem muito dinheiro a dispor e portanto está tentando a única opção.

    Acho que é um assunto bastante controverso, vocês que estão aí dentro da faculdade têm uma visão pessoal, do tipo:”O que EU terei que fazer para conquistar isso?”, nós que estamos de fora temos outra visão completamente diferente às vezes.

    Afinal, somos todos nós que estamos pagando a graduação de vocês, estudantes de universidades públicas. O mínimo que podemos exigir é que saiam formados e conscientes do serviço à população brasileira que terão de prestar, nada é de graça nesse mundo.

    Você deixou o post aberto a discussões, por isso comentei. Desculpa se foi longo demais.

    • Oi Elissa!
      Obrigado pelo comentário! 🙂
      Bom, antes de começar o curso também tinha esse mesmo pensamento que você. Mas agora, vendo o quão difícil é se tornar médico, vejo que, se eu realmente quiser fazer a diferença, tenho que me esforçar MUITO, e depois, quando tiver firmado, aí sim farei meus trabalhos voluntários.
      Infelizmente, médico recebe muito mal. O problema é que uma pequena parcela recebe muito mais que a maioria, e aí fica a imagem do médico rico. Mas não é verdade. E por isso, ou a gente sobrevive ou a gente vai pro médicos sem fronteiras.
      Existem diversas maneiras de ajudar os mais carentes, e tudo isso dentro da faculdade mesmo.
      Mas também, caso você tenha uma concepção de vida em que sua meta é viver humildemente e tal fazendo o bem (nossa, escrevi sem ironias, mas soa muito irônico :s), eu acho muito legal. Existem, mesmo, pessoas assim. Mas eu, particularmente, não tenho essa força toda…
      E na faculdade a gente vê que é muito fácil ajudar alguém.. não precisamos ir muito longe pra isso. Você vai ver daqui um tempo como que é essa sensação, e, para te incentivar a não desistir, é a melhor do mundo.
      Eu acharia ótimo ir para uma cidade pequena, viver tranquilo lá trabalhando, desde que tivesse condições de trabalho adequado. O problema é que o PSF é exercido por médicos de família, que é uma especialidade médica, assim como cardio, oncologia, radiologia, etc. E existem pessoas que não gostam dela (assim como eu não gosto de cardio e radio, por exemplo).
      Então não acho justo que seja imposto isso a alguém. A pessoa é obrigada a fazer uma especialidade médica, sendo que não gosta, e mais, trabalhando num lugar ruim. Há grandes chances dessa pessoa exercer a profissão de uma forma ruim.. entende? E aí quem saí perdendo são os pacientes.
      Como respondi no comentário anterior, todos nós estamos pagando, inclusive eu, meus pais e amigos. Nós fazemos muito trabalho gratuito para a população, mais do que qualquer outro curso.

      Pra mim, o problema da saúde do Brasil é justamente esse: as pessoas acham que medicina é bondade. Mas não é… medicina é uma profissão como qualquer outra. Nos outros países ela é considerada como tal, e por isso a saúde é tão boa em lugares como Reino Unido, Suécia e Finlândia. Só que para tanto, foram preciso anos para isso acontecer, além de boa vontade do governo. E isso, tá bem distante de acontecer no Brasil…

      • Elissa,
        para fazer bondade não precisa ser médico. Basta vc cuidar do seu arredor. Não espere essa ‘oportunidade’ de vida para começar a ajudar os outros. Isso pode ser feito a TODO instante.

        Mesmo não sendo médico, eu ajudo – e muito – a quem consigo, é só se dispor. Como disse o Déco, medicina não é sacerdócio. Ou pelo menos, não deve ser. Sabe pq? Porque se vc acha que a medicina é assim, tudo lindo e maravilhoso, que vai pegar o seu estetoscópio e a sua aampla experiência adquirida e vai sair por aí salvando vidas sozinha no interior do mundo, sinto dizer, mas não vai.

        Não por falta de vontade, mas por falta de recursos. Você não conseguirá fazer os diagnósticos corretamente, vc ficará paulatinamente desatualizada, vc cometerá erros médicos sem ao menos perceber. I-a-tro-ge-nia. Dá até processo isso! Por isso, levanto a bandeira de que devemos lutar, não só pelo ensino e assistência de qualidade, mas como por recursos! O médico que quiser ir pro PSF, deve, sim, ter vida digna, com salário justo e condições hospitalares excelentes! Não deve se sujeitar às más condições, pois isso precariza a MEDICINA. Vide o exemplo dos convênios, onde médicos sacerdotes/acomodados/semmelhoresportunidades fazem consultas ridículas de 15 minutos, exercendo uma medicina PORCA, toda errada e irresolutiva, pra ganhar um salário ínfimo, enquanto os convênios em si, que ficam com toda a grana.

        Isso é ajudar as pessoas? Acredito que não. Quer ajudar? Transforma a realidade do seu país. Bate de frente junto a organizações para que se arquitetem as mudanças necessárias. É necessário política, negociação, horas e horas despendidas em reuniões com engravatados. Só não vá achar que acariciando o próprio ego, salvando o mundo sem fronteiras, vá resolver definitivamente alguma coisa…

        desculpe pelas generalizações. Não te conheço, mas generalizei-te para explicar esse meu efusivo ponto de vista contra o ‘sacerdócio’.

        bjos,
        Dany

  5. Oiii

    Bom,eu já andei lendo teu blog algumas veze, e hoje me chamou a atenção teu post,além de adorar teus textos,sou estudante de Ciências Sociais ,e acompanho essa situação dos conflitos na USP.

    Primeiro, adorei a tua posição sobre como construiu o teu olhar sobre esse conflito,que não é indo atrás da Veja,ou de opiniões de grandes veículos de comunicação. Só de não estar vomitando uma posição pré fabricada, de questionar,pensar, já é louvável x)

    Nem vou trazer a tona o que penso disso, como vejo esse acontecimento,até pq não vem ao caso.

    Porém ,eu entendo um pouco disso que tu fala sobre as condições da saúde no país. Minha mãe é técnica em enfermagem num hospital público, que funciona no limite.Falta pessoal, infra estrutura,material. Tem noites que numa UTI com 12 leitos,tem 7 ,6 técnicos de enfermagem pra ficar num plantão de 12 horas. Tem semanas que ela faz ,3,4 plantões pra poder ” suprir ” essa carência de funcionários, sem contar que o horário de descanso dela e dos colegas nessas noites são reduzidos. Some isso aos fins de semana, aos feriados,época de festas de final de ano,e tu sabe bem, que os acidentes aumentam, as vítimas idem e a UTI transbornando, com paciente precisando de leito,em estado grave, mas não tem espaço para recebê-lo e nem profissional pra zelar por ele.
    Concurso? Tem ,mas esses viventes nomeados vão pros postos,pra tonga da mionga,pra qualquer lugar,menos pro hospital que é referência no atendimento de emergencia na cidade, que é hospital escola de várias faculdades de medicina, se não for todas,aqui da cidade.

    E não vai ser colocando vocês ,médicos recém formados pra trabalhar nos PSF que a dona presidenta vai resolver o caos da saúde, Isso pra ser resolvido,é muito mais do que usar dos recém formados,os chantageando através de pontuação pra uma prova,onde conheço pessoal do 5º ano de uma das faculdades de medicina daqui, já estudando pra esse tal exame,se escabelando. Imagino que isso deva ser um estresse extra pra vocês,
    Entendo tua indignação, e concordo com a tua opinião. Como futura professora, pra alguns, minha profissão tem que ser um sacerdócio, uma vocação, onde temos que ser responsável pela formação do educando,sem a mínima condição pra isso. E se dá tudo errado, e se a educação é péssima, muitos culpam somente o professor. Que é apenas a face exposta de uma máquina , onde o controle fica com o governo.

    Desculpa pelo comentário extenso viu,mas sociólogo em formação é um bichinho que curte por demais escrever ^^

    • Concordo totalmente com você e me surpreendo porque não pensei antes que um professor sofre o MESMO que nós. Que temos o dom e uma responsabilidade social maior do que podemos nos comprometer sem prejudicar os outros.
      Pois é, mas é que ano que vem é ano de eleição né… por isso a pressa toda. Mas vamos ver, a roda está girando! Estamos lutando bastante pra que tudo isso seja revisto!
      Obrigado pelo comentário e boa sorte na sua luta também!
      Beijos

  6. oi, queria saber qual e o gasto medio por mes do curso de medicina?dos livros,alimentacao ai em sp sou do ce mais irei tenta para a usp. ja agradeco pela resposta!

    • Bom, livros não é uma coisa indispensável.. dá pra passar pela faculdade sem comprar nenhuma!
      Alimentação tem a da faculdade, que é 1,90 🙂 mas só almoço.. a janta é por conta hahaha então, não sei dizer bem quanto é o custo mensal :~ mas acho que com uns 300 reais por mês dá pra se virar por aqui, mas o que pega mesmo é o aluguel que é bem caro! Mas existem auxílios da faculdade, como a Casa do Estudante de Medicina e a Bolsa Afinal, além do COSEAS da USP! Dá uma pesquisada no google sobre isso 🙂
      Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s