Cirurgia, MI e PPONGs – Parte 2

Mudança de endereço: pessoas, mudei o endereço do blog! A partir de agora será: https://registromedico.wordpress.com. Todo o conteúdo desse aqui está lá também! Em breve esse será desativado!


Bom, chegou o grande momento de falar sobre o curso de MI. Esperando por esse curso desde os primeiros dias de faculdade, quando TODOS da faculdade, sem exceção, diziam: “mimimi espera quando chegar a MI”. Bom, chegou. E assim como uma infecção por KPC: não foi fácil.

Vamos lá:

2) Módulo das Moléstias Transmissíveis (Mais conhecida como MI – Moléstias Infecciosas):

Bom, assim como tudo nesse quarto ano, esse módulo é dividido em diferentes cursos, mas todos sob o departamento de Moléstias Infecciosas. São os seguintes: Microbiologia Médica, Parasitologia, Imunologia Médica, Patologia de Moléstias Transmissíveis, Clínica das Moléstias Transmissíveis e Bases do Controle e Prevenção de Moléstias Transmissíveis.

a) Microbiologia Médica:

Passei todos os dias me perguntando o porquê da gente ter TUDO isso de novo. Revivemos todos os momentos de gram negativo e positivo, vibriões, espiroquetas, vírus, fungos e zzzzz. Mas pelo menos deu pra dizer que foi a última oportunidade para aprender essas coisas… e talvez tenhamos aprendido mesmo (espero). Não tenho muito o que dizer dessas aulas, já que de todo o curso, elas eram as mais tranquilas. E por isso a gente passa até a amar os Staphylococcus e Streptococcus (mas o amor acaba quando eles se tornam multiresistentes).

http://www.giantmicrobes.com confiram.
http://www.giantmicrobes.com confiram.

b) Parasitologia:

Bom, para ser sincero, não tivemos parasitologia no segundo ano, então foi tudo novidade. Ou não. Foi um remake de biologia de cursinho, mas com uns detalhes a mais que tornam a medicina as vezes insuportável para os desavisados. Chagas, malária, tênias e lombrigas, e etc. E como tudo na vida que é ruim, pode piorar quando a gente tem que ficar indo em laboratório pra ficar vendo os vermes. Mas brincadeira, não foi tão ruim assim. Só um pouco.

Famosas Ascaris com filtro hipster. Nem assim ficam atraentes.
Famosas Ascaris com filtro hipster. Nem assim ficam atraentes.
E ÓBVIO que ia ter uma foto da Tênia aqui. Sem zuar, acho que é a coisa mais nojenta da Terra.
E ÓBVIO que ia ter uma foto da Tênia aqui. Sem zuar, acho que é a coisa mais nojenta da Terra.

c) Imunologia Médica:

Paremos agora por um instante, para esta que foi, sem sombra de dúvidas, a PIOR matéria de TODA a faculdade de Medicina. É com muita honra que eu ofereço o Oscar de matéria mais insuportável e difícil para IMUNO.

Pensem, com dor, você chegar de manhã na faculdade e ficar QUATRO horas ouvindo sobre todas as interleucinas, interferons, TNFs e etc. por um professor muito maluco e prolixo e confuso e estranho. E mais: sem slides. No começo do curso a gente fica pensando que aula com slide é horrível e tudo o mais. Agora não mais. Aula na lousa nessa altura da vida é terrível. E a prova……….. Sem palavras. Eram questões impossíveis, para descrever toda a resposta imunológica a determinada bactéria, vírus ou parasita. A única coisa boa desse curso foi: acabou.

Exemplo de aula. E querem que sejamos médicos humanos.
Exemplo de aula. E querem que sejamos médicos humanos.

d) Patologia de Moléstias Transmissíveis:

Essa só não foi a pior matéria porque imuno se esforçou um pouco mais para ganhar a primeira colocação, mas vou te dizer que não foi legal. Todas aquelas coisas de bolinhas rosas e azuis, imagens de tecidos, tédio mortal e pouco entendimento voltaram arrebatadoramente, sendo orquestradas por um professor nada simpático que fazia de tudo para deixar nossa turminha com o pé atrás da orelha! (Podia ser filme de Sessão da Tarde, e quase foi).

Foi tão ruim, meu Deus. Mas passou também. Aprendemos todas as alterações que acontecem nos tecidos em praticamente todas as doenças infecciosas, inclusive varíola (porque claro, se os terroristas conseguirem roubar o vírus dos EUA e infectar o mundo, estarei preparado para salvar o planeta com meus conhecimentos patológicos). Mas tudo bem, essa e imuno foram aquelas coisas da vida que a gente diz “um dia iremos lembrar disso tudo e dar risada”. Ainda não estou rindo.

e) Clínica das Moléstias Transmissíveis:

Esse curso foi dividido em teórico e prático. E, pra nossa surpresa, ambos foram bons! 🙂

Na teórica a gente tinha aulas sobre as doenças, e dava um resumão de tudo, desde o agente etiológico (o bicho) até o tratamento (que, como TODOS diziam: “não precisa aprender tratamento agora…” . Estou esperando, ainda, esse dia chegar). Tá certo que tinha algumas aulas que dava vontade de afundar na terra, principalmente a dos vermes. Se vocês acham difícil diferenciar a tênia do porco com a da vaca… aguardem que existem um bilhão e meio de outros vermes. Mas no fim tudo dá certo.

Na prática, nós tínhamos aulas na enfermaria da MI (Moléstias Infecciosas), e era bem legal. Eram grupos pequenos, e discutíamos casos, desde a história clínica até os exames laboratoriais. E íamos ver pacientes também, até entrando naquelas salas que tinha que pôr avental, máscara e tudo o mais. Foi boa essa parte da MI…

Quem diria que um dia eu ia decorar todas essas referências (mas já esqueci algumas).
Quem diria que um dia eu ia decorar todas essas referências (mas já esqueci algumas).

f) Bases do Controle e Prevenção de Moléstias Transmissíveis:

Esse nome muito complexo quer dizer mais ou menos: Epidemiologia.

Não quero falar muito sobre isso, então leiam se tiverem interesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Epidemiologia .

Mas foi uma parte bem interessante, porque a gente aprendeu as doenças que sumiram, as que apareceram, as que estão iguais, vacinas, métodos de prevenção, métodos de detecção de doenças e blá blá blá. Muita gente nem sabe que algumas doenças são de notificação obrigatória. O que isso quer dizer? Quer dizer que quando você for médico/a e diagnosticar determinada doença como coqueluche, dengue, varíola (rindo) e etc., você precisa preencher alguns papéis para mandar para a agência controladora que vai fazer umas estatísticas lá e ver se isso é um surto, uma epidemia, o que fazer a respeito, etc etc. Isso é útil durante o internato (continuem lendo o blog que um dia chegaremos lá!!).

Esse dia vai chegar!
Esse dia vai chegar!

Bom, em suma MI foi isso. Além de 3 provas incrivelmente difíceis, noites de estudos sem fim, vésperas de prova em desespero total, gastrite, úlcera, insônia, transtorno de personalidade esquizóide e etc., passou! Finalmente cursei MI, e posso dizer que tudo que me falaram realmente é verdade. MI é foda.

Eu ia escrever sobre as PPONGs, mas já tá muito grande. Então semana que vem eu volto a escrever. Não percam a última parte do Ciclo Clínico, porque logo mais chegaremos no tão esperado: INTERNATO (música de suspense).

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12 comentários sobre “Cirurgia, MI e PPONGs – Parte 2

  1. Eba, post novo! Fiquei feliz qnd chegou no meu email haha Vc reclamando dessas matérias que parecem mór legais e médicas eu tendo que estudar bioquímica =( -brinqs Esperando o fim do ciclo clínico!

  2. Oi! A parte da imuno me fez lembrar uns prof. Nerd que tenho, fazem rabisquinho no quadro e na prova tiram nosso couro.
    Abraço e até a próxima.

  3. Boa tarde, Deco. Sou caloura de Medicina da Universidade Federal do Pará (Ufpa) e descobri seu blog ao fazer pesquisa sobre como era o cotidiano de um estudante de medicina. Me apaixonei pelos seus relatos e não consigo mais deixar de lê -los! Parabéns pela iniciativa e pelas postagens recheadas de humor e informações relevantes e nem tão relevantes assim… kkk. Obrigada por desmitificar esse mundo novo que adentrarei a partir de agosto. É, to no 2 semestre, aqui a turma é dividida em duas entradas, então to aproveitando as “férias” pra dormir, trabalhar (sou fisioterapeuta) e tirar
    minha CNH. Valeu por tudo! Abraços.
    Lídia.

    • Oi, Lídia! Bom, você é fisio, então já sabe um pouco como vai ser a rotina 🙂
      A faculdade, em geral, é bem parecida com outros cursos até o internato, que muda bastante!
      Parabéns pela aprovação e aproveite muito tudo 🙂

  4. Sou Lucas Magalhães, atualmente possuo 15 anos, estou no segundo ano do ensino médio, sonho em ingressar em medicina, sou de uma cidade do interior do Norte do Paraná, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é onde pretendo entrar, mas isso não vem ao caso, gostaria de sua ajuda pois estou me sentindo perdido, não sei por onde começar a estudar, sei que preciso focar em biologia, física e química, mas não sei qual matéria estudar, não sei se estudo biotecnologia somente, ou genética… Poderia me dar uma dica de quais assuntos preciso estudar ? Pode ser respondendo esse comentário ou até por e-mail mesmo…

    Meu e-mail é luh-breda@outlook.com..

    • Lucas, o importante é estudar as matérias que o vestibular cobra. No edital do vestibular da UEL você vai encontrar tudo que você tem que estudar! Acredito que seguindo um material de cursinho deve ser suficiente para guiar seus estudos!
      Sou meio ruim para ajudar nesses quesitos, porque eu já era ruim antes, e agora menos ainda, seis anos depois de prestar vestibular 😦
      Desculpa não ser muito útil!

  5. Deco, tenho uma pergunta não relacionada ao post pra vc. A residência da USP geralmente é tomada pelos alunos da pinheiros ou gente de fora (de faculdades de referência) tbm consegue?

    • Rodolfo, depende bastante da especialidade. Algumas são praticamente ocupadas só por estudantes daqui, como Radiologia, Dermatologia e uns mais concorridos. Agora Pediatria, Clínica Geral e Cirurgia Geral são mais equilibrados! Varia bastante de ano pra ano!

  6. cara, preciso te fazer uma pergunta. pelo que vc tem visto aí na FMUSP a cada ano, e talvez noutras faculdades de medicina, qual costuma ser a média de idade dos calouros??
    eu já sou formado em outro curso, exerço a profissão, mas tem horas q eu penso em jogar tudo para o alto e tentar uma escola de medicina. o problema: já tô bem perto dos 30 anos, daí imagino começar tudo, me formar, daí fazer uma residência… meu deus, eu iria estar perto dos 40! acho q eu devo estar vivendo algum dilema/crise dos 30a, mas eu sempre achei o curso de medicina fantástico, sobretudo os dois anos iniciais.
    abraço!

    • Anderson, a idade varia de ano a ano, mas acho que é em média uns 19-20 anos. Claro que tem muita gente nova, mas também tem bastante gente mais velha, então equilibra. Há os casos de pessoas com 16, assim como os de 30 ou mas!
      Bom, eu acho que mais importante que a idade é a vontade de realizar o sonho! Não há preconceito com idade na Medicina, isso é certeza!
      Boa sorte e força por aí!
      Abraços

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