Moléstias Infecciosas, Dermatologia e Psiquiatria – 5º Ano

Mudança de endereço: pessoas, mudei o endereço do blog! A partir de agora será: https://registromedico.wordpress.com. Todo o conteúdo desse aqui está lá também! Em breve esse será desativado!


Voltei, atrasado! Agora que faltam 82 dias para o fim, realmente estou correndo contra o tempo. Felizmente, estou terminando o ano de 2014 nesse post. Daqui poucos dias voltarei para falar do sexto ano (finalmente!).

Mas antes, republiquei (com algumas alterações) uma das histórias mais lidas aqui do meu blog, publicada em 2010 (faz tempo, né?): https://medium.com/made-in-brasil/hist%C3%B3rias-de-pronto-socorro-e432e0aecfeb

Vou continuar a Parte II dela em breve, então fiquem atentos e não reclamem mais que eu não escrevo nada hahaha

Hoje falarei sobre três estágios, Moléstias Infecciosas (Infectologia para metade do Brasil, ou Doenças Infecciosas e Parasitárias para a outra metade), Dermatologia e Psiquiatria. E, para os que acham que eu só reclamo, tenho fortes elogios a esses estágios!

[Para ler o restante, clique em LEIA MAIS ali no canto direito]

Moléstias Infecciosas – MI

Para quem não conhece essa especialidade, ela teve um papel chave durante duas épocas do mundo. A primeira foi durante os anos brutais da Tuberculose e seus primeiros tratamentos eficazes (existia também a especialidade de Tisiologia, que cuidava especificamente da tuberculose pulmonar) e o advento do HIV/AIDS. Claro que ela sempre esteve/está presente em nossas vidas. Lembro-me que tive UMA consulta com um infectologista há trocentos anos atrás por uma suspeita de dengue (??), quando esta doença não era tão popular como hoje em dia. No final das contas, sempre temos um infectologista por trás de tudo, já que vez ou outra surgem essas doenças infecciosas mortais! Claro que, nos dias atuais, existem doenças que matam muito mais, como infartos, AVCs e cânceres, mas as doenças infecciosas ainda tem sua importância em países em desenvolvimento como nosso querido Brasilzão.

Bom, esse estágio veio, para mim, logo após a Clínica Médica (leia o post anterior se estiver com ânimo) e foi como um sopro de vida, com um algo a mais: último estágio com enfermaria do ano!!

Ele era dividido, basicamente, em enfermaria + enfermaria + enfermaria + um ambulatório ou outro + enfermaria + atividade bacana no Instituto do Butantan + Casa do HIV/AIDS + enfermaria. Ou seja, evolução na enfermaria todo dia, plantão em enfermaria a noite. Só que era beeeeeeeeeem melhor que na Clínica Médica, já que os pacientes lá não morriam de repente sem explicação e a gente conseguia entender o que estava acontecendo (apesar de ter umas doenças loucas lá).

Os plantões noturnos eram bem tranquilos, já que não tinha quase nada para fazer. Então restava estudar e comer a dieta do hospital (experiência que todo aluno de medicina deve passar um dia, ou uma noite, ou muitas noites, como verão nos posts do Sexto Ano).

Plantão bom é o que dá para estudar toda a matéria do estágio em uma noite.
Plantão bom é o que dá para estudar toda a matéria do estágio em uma noite.
Dieta geral oral hipossódica (mas não era tão ruim, juro!)
Dieta geral oral hipossódica (mas não era tão ruim, juro!)

Bom, os ambulatórios eram meio chatos, a gente via em geral paciente em tratamento para tuberculose (que é uma coisa sem fim….. assim como Hanseníase, que falaremos em breve). Só por curiosidade, o tratamento dura no mínimo seis meses, e já que tudo na vida é difícil, inicialmente as pessoas têm que tomar 4 antibióticos diferentes. Ou seja né…. tragédia da saúde pública brasileira.

Bom, a Casa do HIV/AIDS é um centro de referência fora do hospital para acompanhamento de pessoas portadoras de HIV ou com AIDS (são coisas diferentes!! Se quiserem saber mais, podem perguntar nos comentários que eu respondo o que souber). Um dia encontramos uma paciente muito interessante lá. Ela era muito consciente e orientada sobre a doença e vivia super bem, reafirmando que é possível ter vida normal e que a doença não é um atestado de óbito! É muito interessante o HIV. Daria para escrever dias sobre ele, e ainda tem muuuito preconceito na sociedade! Temos que lutar contra isso!! (ativismo virtual)

E, por fim, fomos finalmente conhecer o Instituto Butantan, que é um centro magnífico que poucas pessoas conhecem! É um pólo científico muito importante para o Brasil, e, deixo aqui minha homenagem a este local que salvou tantas e tantas vidas!! Leiam mais sobre a história do Instituto aqui: http://www.butantan.gov.br/butantan/nossahistoria/Paginas/default.aspx.

Lá a gente teve aulas sobre acidentes com animais peçonhentos. Inclusive uma prática não muito agradável com os tais animais.

Eu a 200km da cascavel
Eu a 200km da cascavel

E é isso aí. O estágio foi bom, deu para aprender bem sobre as principais doenças e tratamentos, e o MAIS IMPORTANTE: finalmente aprendi antibióticos!! A gente acha que é muito fácil tratar as doenças bacterianas até descobrir a infinidade de bactérias e esquemas de tratamento. Nesse estágio a gente aprende bem a tratar tudo, e, o mais importante, corretamente, já que não falta por aí médico dando antibiótico pra paciente que não se conforma de ter uma virose (sim, ela mesma) e quer um remédio mais forte chamado amoxicilina ou levofloxacino. E aí ficamos criando bactérias resistentes aos antibióticos. Daqui uns anos vamos ver os resultados disso! (Estou apocalíptico hoje.)

Dermatologia

Nossa faculdade tem um departamento de Dermatologia muito forte e tradicional, com grandes expoentes da especialidade como Dr. Rivitti e Dr. Sampaio.

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Livro muito conhecido por todo estudante! Ele é ótimo! E os leitores fiéis devem saber que eu ganhei um desse num sorteio em 2009! Quem lembra?

Como recordar é viver, vejam isso de 17 de Abril de 2009:

Ai começou a liga! E foi legal também! Muito mais legal porque eu tive MUITA sorte!
Sortearam um livro de Dermatologia! E adivinhem quem ganhou!! EU! 😀 😀
Nossa, nem acreditei ahuah mta emoção! AHUHA nunca ganhei nada em sorteio!
Nossa, fiquei muito feliz ahuha além do mais o livro é uma facada! hahah Mas só vou usá-lo no terceiro ano! ahuah mas vou guardá-lo com carinho! 😀 Várias fotos chocantes, mór legal! hauaha

Mór legal, né gente! As duas pontas da vida se unem, ou algo desse tipo que o Machado disse naquele livro dele.

Bom, o estágio aconteceu quase que totalmente no ambulatório. O que faz muito sentido, já que dermatologia é uma especialidade primordialmente ambulatorial. Mas, aqui no Hospital das Clínicas, nós temos um enfermaria com muitos leitos para doenças dermatológicas para pacientes que precisam ficar internados no hospital. É bem interessante porque tem casos extremos de doenças comuns e outros casos muito raros que a gente costuma ver naqueles documentários do Discovery.

O estágio foi muito bom! Muito mesmo! Os ambulatórios contemplavam quase todas as doenças dermatológicas, desde acne até a doenças auto-imunes raras, e a famigerada Hanseníase, mais conhecida como Lepra, que é mais uma das doenças que sofrem preconceito do povo e é um problemão de saúde pública aqui no Brasil. Tem muita gente ainda com essa doença, e isso é inaceitável! O tratamento, como a tuberculose, é longo, e é muito difícil erradicar essa doença aqui no nosso país, infelizmente.

Os dermatologistas tem um vocabulário único, e no fim a gente aprende a falar como ele. Não existe bolinha, existe pápula, e bolha não é bolha na maior parte das vezes, é vesícula, e coceira é prurido, vergão é placa eritematosa elevada. Tem também mácula, crosta, urtica, exantema, enantema, eritrodermia, descamação, etc etc.

Eu adoro Dermatologia, apesar de não querer ser dermatologista. Acho a especialidade incrível porque ela tem uma história antiga, já que as doenças dermatológicas não precisavam de ressonância magnética e exames caros para serem diagnosticadas. Bastava olhar com atenção e usar a memória para lembrar o que era aquela doença!  Enfim, é bem bacana!

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Carimbo de dermatologista.

E o estágio, apesar de ter muito conteúdo e da gente aprender demais, era muito tranquilo, dando bastante tempo livre para viver.

Noites da dermato.
Noites da dermato.

Bom estágio. Dá saudades! ❤

Psiquiatria

Psiquiatria também tem um departamento muito forte aqui na faculdade, sendo uma das escolas de Psiquiatria mais antigas e importantes do Brasil. O Instituto de Psiquiatria foi o primeiro instituto construído depois do Instituto Central do HC, lá pelos anos de 1940.

Projeto original
Projeto original
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Após a reforma de uns 10 anos atrás

E, ao contrário das outras faculdades, aqui a psiquiatria é uma das especialidades mais visadas para residência entre nós, alunos. Obviamente que eu não tenho essa loucura de fazer, já que é uma especialidade extra-médica na maior parte do tempo hahaha os psiquiatras mesmo dizem que não se consideram tão médicos, já que o universo psiquiátrico é algo totalmente a parte da medicina convencional.

Um pouco mais de história, achei esse livro aqui esses dias numa aula de Neurocirurgia (que falarei nos posts do ano que vem):

Livro com o cadastro dos primeiros pacientes do hospital! :O
Livro com o cadastro dos primeiros pacientes do hospital! :O

Tô falando de história porque não tenho muito o que falar hahaha mentira, é que acho bem bacana essas coisas de história da Medicina.

Mas falando um pouco de Psiquiatria, é uma especialidade bastante interessante e incompreendida. Também há muito preconceito da sociedade com as doenças psiquiátricas, inclusive os próprios acometidos têm dificuldade em aceitar, quando possuem crítica, da doença psiquiátrica que possuem.

A Clínica Psiquiátrica também é toda diferente, e a maneira como você tira a história do paciente e conversa com ele é bem diferente. Assim como na dermatologia, eles também têm seu próprio vocabulário, e no fim todos nós saímos falando que aquela pessoa tem um humor hipotímico, afeto pouco modulado, hiporressonante, com pensamento com forma, conteúdo e velocidade preservadas, sensopercepção normal e essas coisas que não fazem muito sentido na primeira vez, mas que no fim do estágio faz muita diferença para o diagnóstico e tratamento das doenças psiquiátricas!

Cola que ficava pendurada na parede para os internos. A alegria do estágio foi conseguir fazer uma consulta inteira sem colar :D
Cola que ficava pendurada na parede para os internos. A alegria do estágio foi conseguir fazer uma consulta inteira sem colar 😀

O estágio foi bom também. Mas o melhor de tudo é que ele foi o último do ano!! Depois disso vieram as férias (saudades….).

Pode voltar no tempo?
Pode voltar no tempo?

E declaro encerrado o ano de 2014! (Aleluia!!) Muito em breve voltarei para falar sobre o sexto ano. O fim is coming!!

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18 comentários sobre “Moléstias Infecciosas, Dermatologia e Psiquiatria – 5º Ano

  1. Tem uma doença na dermato chamada fogo selvagem, né. Só vi um caso assim.
    Curiosa p/ ler os próximos causos.
    Até breve!

  2. Deco algo q tenho muita dúvida é os alunos durante a faculdade, também penso em medicina e todo mundo fala que é difícil, isso eu sei, mais é difícil a ponto dos estudantes terem que usar drogas? Ou é só lenda urbana?

    • Oi Pietro. Na minha faculdade não é muito comum o uso de drogas tipo anfetamina e ritalina pra ficar estudando. Não sei se é comum nas outras. Já o uso de drogas recreativas deve ser proporcional aos itens cursos superiores.

  3. que blog toppp, comecei a ler agora e vou desde o inicio uhauha tenho 16 anos e sou apaixonado por medicina no geral (tenho uma mãe formada em traumatologia e ortopedia), bom, vai servir pra eu ver se consigo me adentrar um pouco mais, saber mais. já tenho inumeros blogs aqui favoritados que leio todos os dias pra aprender cada vez mais. enfim, agora o seu tbm entra na lista haha

  4. Fala Deco, tudo bom?
    Primeiro gostaria de te agradecer pelo blog, ler seus posts foi fundamental pra entender mais sobre o tão desejado curso de medicina. Tenho uma duvida sobre o seu intercâmbio em Harvard: quanto a viagem custou pra você?

    • Oi Guilherme, tudo bem e você? Obrigado pelo comentário!
      Meu intercâmbio foi financiado por duas agências, a Fundação Lemann e o Santander Universidades, então eu não tive muitos gastos lá, só para as coisas extras mesmo, como viagens e etc.

      • Poxa, que legal! Admito que é uma ambição minha poder fazer um intercâmbio como esses algum dia. Os critérios de seleção para o programa são muito rígidos?

        • Agora esses intercâmbios são muito mais acessíveis! É só planejar bem os primeiros anos de graduação para fazer um currículo bom e com certeza você irá conseguir! O de Harvard tem um processo de seleção específico, e tem muitos critérios, sendo alguns: realização de pesquisa, atividades extra-curriculares e entrevista com professores de lá que vem para o Brasil no meio do ano. Eu não sei dizer como é a seleção para outros programas, como CsF. Mas muitos deles precisam de TOEFL ou IELTS (certificação de proficiência de Inglês). Enfim, não é coisa do outro mundo!

          • Ah, entendi, obrigado! Bom, por mais que eu goste de pensar nisso, ainda tenho um vestibular a passar (com alguma sorte a fuvest)! hahaha

  5. Que legal Deco, me sinto identificado porque vivi e vivo coisa semelhante na minha graduação.
    Sobretudo em Infecto e Dermato..
    Uma coisa interessante é que aqui na Argentina inexiste a palavra Hanseniase, ou Mal de Hansen oque seja, o negocio é antigo mesmo. Se fala Lepra até no vocabulário médico, se falar Hanseniase nenhum profissional te entende.
    Sobre aids também,,, parece que pegou a etiqueta que só tem essa doença gay, drogadicto, etc. E justamente afeta a todos, principalmente jovens (como nós).
    Parabéns por ter escrito tão bem e ter se posto ao dia, que comecem s relatos do sexto ano!
    Grande abraço!

  6. Deco , que bom que você voltou !! Entrava no site diariamente para ver se tinha mais atualizações e não tinha nada…Pensei que tinha desistido do diário :(( ! Adoreeei o post , beijoos

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